Protesto termina em clima de tensão na Paraíba após relatos de disparos atribuídos à Polícia Militar, enquanto autoridades apuram as circunstâncias do episódio.
O que deveria ser apenas uma carreata seguida de comício em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva terminou em clima de tensão e revolta no município de Prata, no Cariri paraibano. Manifestantes denunciam que policiais militares efetuaram disparos de arma de fogo nas proximidades do ato durante a noite de sábado (12), e cobram das autoridades uma investigação rigorosa sobre o episódio.
O que ocorreu na noite de sábado
Segundo relatos e imagens obtidas pelo portal Fatos PB, policiais militares foram vistos circulando pelo local antes da carreata, mantendo contato com participantes da manifestação. O evento, de acordo com os organizadores, havia sido previamente comunicado às autoridades e transcorria de forma pacífica até aquele momento.
A situação mudou quando, segundo o relato, um policial militar aposentado teria acionado uma viatura da corporação. Após a chegada da equipe policial, teriam ocorrido disparos de arma de fogo nas proximidades dos civis que participavam da concentração, o que gerou pânico entre os presentes.
A concentração ocorria nas imediações de uma lanchonete, o que aumentou, segundo os organizadores, a preocupação com a segurança de pessoas que nem sequer faziam parte da manifestação política e apenas estavam no local por outros motivos.
A denúncia da FETRAF e o relato dos organizadores
A nota de repúdio divulgada neste domingo (13) foi assinada por Valdenício, representante da FETRAF, entidade ligada aos trabalhadores rurais familiares da Paraíba. O documento reforça que o ato tinha caráter pacífico e político, amparado pelo direito constitucional de reunião e livre manifestação.
Um dos pontos mais destacados na nota é a presença de públicos vulneráveis entre os manifestantes. Crianças, idosos e trabalhadores estavam entre os presentes, o que, segundo os organizadores, torna ainda mais grave qualquer uso de arma de fogo nas imediações do ato.
A nota traz um questionamento direto sobre a responsabilização em caso de um desfecho trágico. Segundo o texto, é preciso esclarecer quem responderia caso algum dos disparos tivesse atingido uma criança, um idoso ou qualquer outro cidadão presente no local naquele momento.
Para os organizadores, o episódio não deve ser interpretado como uma disputa entre partidos ou correntes políticas, mas sim analisado sob a ótica da garantia dos direitos fundamentais de reunião pacífica e livre expressão, previstos na Constituição Federal.
Imagens do local e os questionamentos que ainda restam
As fotografias registradas durante a ocorrência mostram militares uniformizados e equipados, inclusive com armamento, circulando pela área onde estavam os participantes do ato político. As imagens, no entanto, não permitem, isoladamente, confirmar a realização dos disparos nem esclarecer em quais circunstâncias eles teriam ocorrido.
Por essa razão, os próprios organizadores reconhecem que a apuração oficial dos fatos será fundamental para esclarecer a dinâmica completa da ocorrência, incluindo o motivo da intervenção policial e a eventual justificativa para o uso de arma de fogo naquele contexto.
Até o momento, seguem em aberto perguntas centrais sobre o episódio: o que motivou a chegada da viatura policial, por que teriam ocorrido disparos, quem os teria efetuado e se havia, de fato, algum risco concreto que justificasse o uso da força armada naquela situação.
Cobrança de investigação chega ao governo estadual
Na nota de repúdio, os organizadores solicitam providências formais ao governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, à Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social, à própria Polícia Militar e ao Ministério Público, além de outras autoridades competentes na área de segurança pública.
O pedido é por uma apuração rigorosa, independente e transparente, capaz de esclarecer com precisão a conduta dos agentes envolvidos na ocorrência e determinar se houve, de fato, alguma irregularidade no uso da força durante o ato político.
Caso a investigação confirme excessos ou abuso no uso da força por parte dos policiais militares envolvidos, os organizadores defendem que os responsáveis devem responder de acordo com a legislação vigente, tanto na esfera administrativa quanto, se for o caso, na esfera criminal.
Fontes:
Fatos PB
