Operação Força Integrada IV mobiliza 19 estados contra o crime organizado

Lucy Hartcrest
Por Lucy Hartcrest

Ação conjunta reúne forças de segurança em 19 estados para ampliar o combate ao crime organizado e integrar operações de enfrentamento às redes criminosas.

As Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCO) deflagraram nesta quarta-feira (16), em ação simultânea, a Operação Força Integrada IV. O trabalho reúne 20 bases especializadas distribuídas por 19 estados da Federação e tem como alvo principal o tráfico de drogas, o tráfico de armas, a lavagem de dinheiro e organizações criminosas violentas que atuam em diferentes regiões do país.

Uma ação que reúne quase todas as forças de segurança do país

A operação é coordenada pela Polícia Federal, que atua em conjunto com polícias civis, militares e penais dos estados envolvidos, além de guardas municipais, Polícia Rodoviária Federal, Secretaria Nacional de Políticas Penais e secretarias estaduais de segurança pública. Essa integração permite o compartilhamento contínuo de dados de inteligência entre as diferentes unidades, o que amplia o alcance das investigações e facilita a localização simultânea de suspeitos em pontos distantes do território nacional.

Ao longo do dia, as equipes cumprem 173 mandados de busca e apreensão e 106 mandados de prisão, números que dão uma ideia da dimensão da ofensiva. Somam-se a isso dezenas de medidas cautelares patrimoniais e investigativas, aplicadas em diversas regiões do país conforme as particularidades de cada investigação local.

O objetivo declarado da operação vai além das prisões pontuais. As autoridades buscam desarticular redes que sustentam financeiramente facções e organizações criminosas, cortando o fluxo de recursos que alimenta o tráfico de drogas e o comércio ilegal de armas em diferentes estados.

Bahia e Tocantins concentram algumas das ações mais expressivas

Entre as frentes de maior destaque está a Operação Eirene II, deflagrada pela FICCO da Bahia. A ação cumpre 57 mandados de busca e apreensão e 45 mandados de prisão contra um grupo investigado por homicídios e extorsão, com constrição patrimonial que ultrapassa R$ 12 milhões.

No Tocantins, a Operação Rota Araguaia II mira um núcleo logístico ligado ao tráfico transnacional de drogas. Nesse estado, a Justiça determinou bloqueio judicial que pode chegar a R$ 412,5 milhões, valor que evidencia a magnitude do esquema financeiro sob investigação.

Outras frentes da Operação Força Integrada IV ocorrem simultaneamente no Acre, na Paraíba, no Rio Grande do Norte, no Espírito Santo, em Pernambuco, em Roraima, no Ceará, no Amapá, em Alagoas, em Sergipe, em Minas Gerais, no Paraná, em Goiás, no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, no Pará e no Rio Grande do Sul.

Essa distribuição geográfica ampla mostra que o crime organizado no Brasil opera em rede, com ramificações que atravessam fronteiras estaduais. Por isso, segundo as autoridades, uma resposta isolada em apenas um estado tende a ser menos eficaz do que uma ofensiva coordenada em nível nacional.

Bloqueios patrimoniais ultrapassam meio bilhão de reais

As decisões judiciais que autorizaram a operação também determinaram bloqueios, sequestros e restrições patrimoniais que somam mais de R$ 508 milhões em todo o país. Os valores atingem diretamente imóveis, frotas de veículos, ativos financeiros e outros bens vinculados aos investigados.

Essa dimensão patrimonial reflete uma mudança de estratégia nas investigações contra o crime organizado, que passaram a mirar não apenas a prisão de integrantes das facções, mas também o patrimônio construído a partir de atividades ilícitas. A lógica é simples: sem recursos financeiros, fica mais difícil para essas organizações manterem sua estrutura de recrutamento, armamento e logística.

As diligências seguem ao longo de todo o dia em várias partes do território nacional. Enquanto isso, equipes trabalham na análise dos materiais apreendidos e no encaminhamento dos presos aos estabelecimentos prisionais competentes em cada estado.

A expectativa das autoridades é que a integração operacional entre as diferentes forças de segurança continue enfraquecendo a estrutura financeira das facções e ajude a desarticular lideranças envolvidas em crimes violentos em diferentes pontos do país, dando continuidade a um modelo de atuação conjunta que vem sendo adotado com frequência crescente.

Fontes:
News Rondônia

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