A segunda fase da Operação Lívia cumpriu 12 mandados e medidas judiciais contra uma rede investigada por crimes praticados em comunidades virtuais. A ação foi deflagrada em 15 de setembro de 2026 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), ligado à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), em conjunto com polícias civis de diferentes estados.
As medidas foram executadas na Bahia, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, em São Paulo e no Distrito Federal. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão domiciliar e determinadas seis medidas cautelares envolvendo adolescentes. A investigação é coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio das forças de segurança mobilizadas na operação.
Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, os alvos são relacionados a comunidades digitais suspeitas de promover crimes de ódio, misoginia, crueldade contra animais, coerção psicológica e indução à automutilação e ao suicídio. As autoridades ainda apuram a responsabilidade individual dos investigados, que não podem ser tratados como condenados.
Investigação avançou com análise de provas digitais
A nova etapa da Operação Lívia foi desenvolvida a partir da análise de celulares, computadores e outras mídias apreendidas na primeira fase. O trabalho pericial teria permitido identificar possíveis administradores e moderadores de grupos usados para abordar, chantagear e exercer controle psicológico sobre pessoas em situação de vulnerabilidade.
Esse tipo de investigação depende da preservação e da interpretação de evidências digitais, como arquivos armazenados em dispositivos, registros de comunicação e conexões entre usuários. A atuação do Ciberlab busca integrar conhecimento técnico e investigação policial para esclarecer como os grupos funcionavam e quem estaria por trás das práticas investigadas.
O caso também foi apresentado pelo MJSP em uma publicação institucional sobre a mobilização da Operação Lívia e da Operação Rede Interrompida, com a participação do Ministério da Justiça e de polícias civis de diferentes unidades da Federação. A articulação interestadual é necessária porque comunidades virtuais podem reunir integrantes e vítimas localizados em cidades e estados distintos.
O que significa a chamada “escravidão digital”
De acordo com a descrição oficial do caso, a expressão “escravidão digital” é usada para definir uma dinâmica de ameaças, chantagens e pressões psicológicas em ambientes virtuais. Os integrantes das comunidades investigadas seriam submetidos a determinações relacionadas à automutilação e a outras formas de violência, em uma relação de controle construída por meio da intimidação.
A investigação também procura localizar possíveis vítimas e encaminhá-las à rede de proteção. Por envolver adolescentes e relatos de violência psicológica, a divulgação dos detalhes deve ser feita com cautela, sem exposição de identidades, imagens, mensagens ou instruções que possam revitimizar pessoas afetadas ou estimular comportamentos perigosos.
A origem do caso está na apuração da morte de uma adolescente de 13 anos, que teria sido submetida a práticas de coerção e indução à automutilação e ao suicídio por meio de plataformas digitais. O nome da operação é uma homenagem à vítima. Como o procedimento continua em andamento, informações sobre sua identidade e sobre circunstâncias sensíveis não foram reproduzidas.
Atuação integrada busca proteger adolescentes
Além de reunir elementos para responsabilizar os envolvidos, a operação tem entre seus objetivos interromper a atuação das comunidades e identificar pessoas que possam estar sob ameaça. A participação de polícias civis da Bahia, do Distrito Federal, do Rio Grande do Sul, do Rio de Janeiro e de São Paulo amplia a capacidade de cumprimento das ordens judiciais e de atendimento a ocorrências em diferentes localidades.
O enfrentamento a crimes digitais contra crianças e adolescentes exige cooperação entre investigação criminal, perícia e rede de proteção. Suspeitas de coerção, chantagem, indução à automutilação ou ameaças podem ser comunicadas às delegacias especializadas, às unidades da Polícia Civil ou aos canais oficiais de proteção. Em situações de risco imediato, a orientação é procurar os serviços de emergência.
A Operação Lívia permanece em andamento, e novas análises poderão indicar outros participantes, vítimas ou conexões entre os grupos investigados. Até a conclusão das apurações e eventual decisão judicial, os envolvidos mantêm o direito à defesa e à presunção de inocência.
