A Polícia Civil de Santa Catarina deflagrou, em 10 de setembro de 2026, a Operação ClickFix para desarticular uma organização criminosa investigada por fraudes eletrônicas de grande escala e invasões de sistemas de órgãos públicos. A ação teve apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, além da participação das polícias civis de São Paulo e do Rio Grande do Sul e da Polícia Científica de Santa Catarina.
De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão. A investigação reúne diferentes áreas da segurança pública para apurar a atuação do grupo e identificar os recursos associados às suspeitas de crimes digitais.
Criptoativos e patrimônio são alvo da operação
A Operação ClickFix resultou na apreensão de aproximadamente R$ 8,7 milhões em criptoativos, segundo a divulgação oficial. Também foram sequestrados imóveis avaliados em R$ 6,5 milhões e apreendidos veículos que, conforme as informações apresentadas pelas autoridades, somam cerca de R$ 2,4 milhões.
Além das medidas executadas durante a operação, houve pedido de bloqueio de contas bancárias que pode alcançar R$ 93 milhões. O bloqueio busca atingir valores relacionados ao grupo investigado e amplia o alcance da ação para além da apreensão de equipamentos ou da localização de suspeitos.
Os números divulgados mostram que a apuração também se concentra na estrutura financeira associada às fraudes eletrônicas. A identificação e a restrição de ativos virtuais, imóveis, veículos e recursos bancários fazem parte de uma estratégia voltada a interromper a capacidade de movimentação patrimonial de organizações investigadas por crimes cibernéticos.
Integração entre polícias e perícia digital
A operação envolveu instituições de diferentes unidades da Federação. A Polícia Civil de Santa Catarina coordenou a ação, com participação das polícias civis de São Paulo e do Rio Grande do Sul. O trabalho também contou com o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública e com a Polícia Científica catarinense.
Essa composição evidencia a necessidade de cooperação em investigações que envolvem ambientes digitais e ativos espalhados por diferentes localidades. A atuação conjunta permite reunir informações de inteligência, perícia e investigação criminal, especialmente quando a apuração envolve invasões de sistemas de órgãos públicos e movimentação de recursos digitais.
A Polícia Científica participa desse tipo de investigação por meio do trabalho pericial, enquanto as polícias civis ficam responsáveis pelas medidas de investigação e cumprimento das ordens judiciais. O apoio especializado do Laboratório de Operações Cibernéticas complementa a apuração sobre os elementos digitais relacionados ao caso.
O que está confirmado pelas autoridades
A Operação ClickFix foi divulgada oficialmente em 11 de setembro de 2026 e teve as informações atualizadas em 16 de setembro. Até os dados apresentados na comunicação oficial, as autoridades descrevem os envolvidos como integrantes de um grupo investigado por fraudes eletrônicas e invasões de sistemas.
As medidas judiciais cumpridas não representam, por si só, uma condenação. A investigação deve seguir para esclarecer a participação individual dos suspeitos, a origem dos valores e a relação entre os ativos localizados e os crimes apurados. Por isso, os investigados são tratados como suspeitos enquanto não houver decisão judicial definitiva.
O caso reforça a mudança no perfil das investigações de crimes cibernéticos no Brasil. Além da análise de computadores, celulares e outros vestígios digitais, operações desse tipo passaram a acompanhar criptoativos e bens que podem estar associados à atividade criminosa. Na Operação ClickFix, a combinação desses elementos orientou uma ação que alcançou tanto a infraestrutura digital quanto o patrimônio ligado ao grupo investigado.
