PF deflagra operação nacional contra crimes de abuso sexual infantil na internet

Lucy Hartcrest
Por Lucy Hartcrest

Operação Proteção Integral V mobiliza 755 policiais, cumpre 153 mandados de busca e apreensão em todo o país e resulta em prisões e resgate de vítimas nesta quarta-feira

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, a Operação Nacional Proteção Integral V, uma grande ação coordenada de combate a crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes. A ofensiva ocorre simultaneamente nas 27 unidades da Federação e conta com a participação das Polícias Civis de 20 estados, reunindo centenas de agentes em investigações que possuem forte ligação com o ambiente digital.

Ao todo, estão sendo cumpridos 153 mandados de busca e apreensão. O balanço divulgado pela Polícia Federal registra 31 prisões em flagrante e o cumprimento de 13 mandados de prisão preventiva. Três adolescentes também foram apreendidos e duas vítimas de abuso foram identificadas e resgatadas durante as diligências.

A operação tem como foco investigados por armazenamento, compartilhamento, comercialização e produção de material de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes. Parte relevante dessas práticas ocorre por meio de computadores, celulares, plataformas digitais e outros recursos de comunicação, fazendo com que a investigação e a perícia tecnológica tenham papel importante na identificação dos envolvidos e na obtenção de evidências.

A Proteção Integral V mobiliza 755 policiais em todo o país. Desse total, 480 são policiais federais e 275 são integrantes das Polícias Civis. A dimensão da mobilização coloca a ação entre as grandes operações nacionais realizadas neste ano para combater crimes praticados contra crianças e adolescentes.

Operação acontece simultaneamente em todo o Brasil

Os mandados de busca e apreensão são cumpridos nas 26 unidades estaduais e no Distrito Federal. A estratégia permite que diferentes investigações sejam executadas simultaneamente, reduzindo a possibilidade de destruição de evidências e possibilitando a atuação coordenada das equipes responsáveis pelas diligências.

Além da Polícia Federal, participam diretamente Polícias Civis de Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

A presença da Paraíba entre os estados participantes também coloca as forças de segurança paraibanas dentro da mobilização nacional. A operação reúne estruturas estaduais e federais em uma estratégia integrada de investigação e repressão.

A integração é particularmente importante em crimes praticados pela internet. Uma atividade digital identificada em determinado estado pode estar relacionada a investigados, servidores, dispositivos ou vítimas localizados em outras partes do território nacional, exigindo cooperação entre diferentes unidades policiais.

Tecnologia ocupa papel central nas investigações

O combate aos crimes cibernéticos relacionados ao abuso sexual infantojuvenil exige capacidade de investigação digital. Durante operações desse tipo, computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos encontrados nos endereços investigados podem ser apreendidos e posteriormente submetidos a exames periciais, de acordo com as determinações judiciais e os procedimentos da investigação.

A análise desses equipamentos pode auxiliar na identificação de arquivos e outros elementos digitais relevantes para os inquéritos. As autoridades também podem buscar informações que permitam reconstruir conexões entre diferentes investigados e esclarecer como determinado conteúdo foi armazenado ou distribuído.

O ambiente virtual ampliou significativamente os desafios enfrentados pelas forças de segurança. Redes sociais, aplicativos de mensagens, serviços digitais e diferentes plataformas de comunicação permitem circulação rápida de informações entre usuários localizados em diferentes regiões.

Por esse motivo, inteligência policial, perícia computacional e cooperação entre diferentes órgãos passaram a ocupar posição cada vez mais importante nas investigações de crimes cibernéticos.

44 prisões são registradas durante a ofensiva

O balanço inicial divulgado nesta quarta-feira registra 44 prisões, considerando 31 pessoas detidas em flagrante durante as diligências e outras 13 alcançadas por mandados de prisão preventiva expedidos previamente pela Justiça.

A prisão em flagrante pode ocorrer quando os policiais encontram, durante o cumprimento das buscas, elementos que caracterizem uma situação prevista pela legislação. Já as prisões preventivas decorrem de decisões judiciais tomadas no âmbito das investigações.

A operação também registrou a apreensão de três adolescentes. Como envolve menores de idade, a situação segue regras específicas estabelecidas pela legislação brasileira e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

Outro resultado especialmente relevante foi a identificação e o resgate de duas vítimas de abuso. A Polícia Federal não apresentou, no balanço nacional inicial, detalhes que possam permitir a identificação dessas vítimas, preservando informações relacionadas às crianças ou adolescentes envolvidos.

Proteção Integral V dá continuidade a outras operações

A ação desta quarta-feira não é isolada. A Operação Nacional Proteção Integral V representa a continuidade das fases I, II, III e IV, realizadas durante 2025 e 2026.

A Polícia Federal também realizou, em março deste ano, a Operação Nacional Guardião Digital, igualmente voltada ao enfrentamento de crimes contra crianças e adolescentes relacionados ao ambiente tecnológico.

Essa sequência mostra uma estratégia de atuação permanente em vez de operações pontuais. Investigações cibernéticas podem demandar acompanhamento prolongado, análise de grande quantidade de dados e cooperação entre diferentes unidades policiais.

Segundo a Polícia Federal, somente entre janeiro e agosto de 2026 foram cumpridos pelo menos 980 mandados de prisão contra pessoas foragidas da Justiça por crimes sexuais. O dado engloba atuação de diferentes áreas da corporação e não se limita à operação desta quarta-feira.

Polícia Federal alerta para riscos no ambiente virtual

Além das ações repressivas, a Polícia Federal reforçou orientações direcionadas a pais e responsáveis. A corporação destaca a importância de acompanhar e orientar crianças e adolescentes tanto no ambiente físico quanto no digital.

Entre as recomendações está manter diálogo sobre riscos relacionados ao uso de redes sociais, jogos e aplicativos. A orientação é que crianças e adolescentes saibam reconhecer abordagens inadequadas e entendam que podem procurar um adulto responsável caso enfrentem alguma situação suspeita.

Mudanças repentinas de comportamento também podem exigir atenção. A PF cita isolamento inesperado ou aumento incomum do sigilo relacionado ao uso de celulares e computadores como situações que responsáveis devem observar dentro de um contexto mais amplo.

A orientação não significa eliminar o acesso de crianças e adolescentes às tecnologias, mas desenvolver acompanhamento compatível com a idade e estabelecer canais de comunicação para que situações potencialmente perigosas possam ser relatadas.

Operação une segurança pública e investigação tecnológica

A Operação Nacional Proteção Integral V também evidencia como o avanço da criminalidade digital está modificando o trabalho policial. Investigações que anteriormente estavam concentradas principalmente em evidências físicas passaram a depender cada vez mais da capacidade de localizar, preservar e analisar informações existentes em ambientes tecnológicos.

O trabalho pode envolver equipes de investigação, inteligência e perícia digital, além da cooperação entre diferentes forças de segurança. A dimensão nacional da operação demonstra a necessidade dessa integração diante de crimes que podem ultrapassar rapidamente fronteiras municipais e estaduais por meio da internet.

Com 153 mandados de busca e apreensão, 44 prisões registradas no balanço inicial, três adolescentes apreendidos e duas vítimas resgatadas, a operação desta quarta-feira representa mais uma etapa da estratégia nacional de combate aos crimes de abuso sexual contra crianças e adolescentes.

As investigações continuam após o cumprimento dos mandados. Materiais eventualmente apreendidos durante as diligências poderão ser analisados pelas equipes responsáveis, e os resultados dessas perícias podem levar a novos desdobramentos. A Polícia Federal afirma que a ação reforça a prioridade dada à proteção de crianças e adolescentes diante dos riscos existentes tanto no ambiente físico quanto no digital.

Fonte:

Polícia Federal — comunicado oficial da Operação Proteção Integral V

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