Com R$ 18 milhões investidos e foco na captura de agressores com mandados em aberto, ação nacional integra o Pacto Brasil contra o Feminicídio e envolve forças de segurança de todos os estados
A segunda edição da Operação Mulher Segura foi deflagrada no dia 1º de junho pelo Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A ação, que integra o Centro Integrado Mulher Segura (Cims) e está alinhada ao Pacto Brasil contra o Feminicídio, mobilizou R$ 18 milhões e tem como objetivo principal intensificar a localização e a captura de agressores que possuem mandados de prisão em aberto. Além da frente repressiva, a operação inclui ações educativas e campanhas de conscientização voltadas especificamente ao público masculino, reconhecendo que o enfrentamento à violência de gênero exige tanto a responsabilização dos autores quanto a transformação cultural que previne novos casos. A iniciativa conta com o suporte operacional da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG), do Ministério das Mulheres e das secretarias de segurança pública de todos os 27 estados brasileiros.
O que aconteceu na primeira edição e o que muda agora
A primeira edição da Operação Mulher Segura ocorreu entre 19 de fevereiro e 5 de março de 2026 e deixou um balanço expressivo: 4.936 prisões, sendo 3.199 em flagrante e 1.737 em cumprimento de mandados de prisão. Esses números revelam tanto a gravidade do problema quanto a efetividade de operações coordenadas que reúnem múltiplas forças de segurança em torno de um objetivo comum. Para a segunda edição, a estrutura de atuação foi ampliada. As ações serão conduzidas por meio dos Centros Integrados de Comando e Controle (CICC) ou estruturas equivalentes nos estados, com participação de polícias civil, militar, técnico-científica e penal, além dos corpos de bombeiros militares, guardas municipais e órgãos do sistema de Justiça. O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou que o problema tem caráter nacional e que a mobilização de toda a estrutura da segurança pública é a resposta adequada. Segundo ele, o foco da operação é prevenir, identificar, intervir e responsabilizar autores de violência, assegurando maior proteção às mulheres em todo o território brasileiro.
A abrangência da operação reflete um entendimento que o debate sobre segurança pública consolidou nos últimos anos: a violência doméstica e o feminicídio não são fenômenos restritos a determinadas regiões ou classes sociais. Dados históricos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostram que, embora as mortes violentas intencionais tenham apresentado queda nos últimos anos, a violência contra mulheres e crianças manteve trajetória preocupante, exigindo respostas específicas e estruturadas por parte do Estado.
A dimensão do problema e os desafios do combate ao feminicídio
Enfrentar o feminicídio no Brasil significa atuar em diferentes camadas de um problema complexo. Na ponta mais visível estão os agressores com mandados em aberto, que a operação busca localizar e prender. Mas o desafio vai além: muitas vítimas não registram boletins de ocorrência por medo de represálias, dependência financeira do agressor ou falta de confiança nas instituições. Por isso, as ações educativas previstas na Operação Mulher Segura têm relevância equivalente às prisões, na medida em que buscam alterar padrões de comportamento e fortalecer a rede de denúncias. A criação do Centro Integrado Mulher Segura representa uma aposta na integração de dados e serviços, reunindo informações de saúde, assistência social, Judiciário e segurança pública em um único ponto de coordenação. Essa lógica de trabalho integrado é apontada por especialistas em segurança pública como um dos caminhos mais promissores para aumentar a efetividade das políticas de proteção às mulheres em situação de risco.
Fontes: Governo Federal | Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
