PM de São Paulo passa a usar drones e helicópteros com reconhecimento facial em tempo real

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez

Sistema Muralha Paulista ganha reforço aéreo para identificar foragidos, veículos roubados e pessoas desaparecidas durante operações policiais

Quem acompanha as operações policiais mais recentes em São Paulo já deve ter notado um detalhe que muda a forma como a polícia trabalha nas ruas: câmeras no céu que não apenas filmam, mas reconhecem rostos e leem placas de veículos em tempo real. A Polícia Militar paulista deu início a uma nova fase de um projeto que já vinha sendo testado havia meses, conectando imagens captadas por drones e helicópteros diretamente ao sistema de monitoramento do estado. A dúvida que mais aparece entre quem lê esse tipo de notícia é prática: essa tecnologia realmente ajuda a prender criminosos com mais eficiência, ou representa um risco à privacidade das pessoas que circulam nas áreas monitoradas.

Como funciona a integração entre drones, helicópteros e o Muralha Paulista

A Polícia Militar de São Paulo conectou as câmeras de seus helicópteros e drones diretamente ao sistema Muralha Paulista, permitindo que as imagens geradas no ar sejam analisadas ao vivo, com ferramentas de inteligência artificial capazes de fazer reconhecimento facial e leitura automática de placas, com o objetivo de identificar instantaneamente criminosos foragidos, pessoas desaparecidas e veículos roubados ou furtados. Até então, esse tipo de reconhecimento automatizado funcionava principalmente por meio de câmeras fixas instaladas em pontos estratégicos das cidades, o que deixava lacunas em áreas de difícil acesso ou pouco monitoradas pelas ruas. Região Noroeste

A integração começou a ser utilizada como projeto piloto na capital paulista durante a Operação Integra SP, com um helicóptero e um drone recebendo, inicialmente, os equipamentos especiais. Segundo as informações divulgadas pela corporação, esses equipamentos aéreos cobrem justamente os chamados pontos cegos, áreas onde as câmeras fixas instaladas nas ruas não conseguem captar imagem com qualidade suficiente para identificação, seja por obstáculos físicos, seja pela distância entre os postes de monitoramento. Folha Metropolitana

O comandante da Polícia Militar na Região Metropolitana de São Paulo, coronel Caio de Oliveira, descreveu a importância da ferramenta para o trabalho de inteligência policial. Segundo ele, o drone se tornou um divisor de águas para a captação de imagens e vídeos usados em atividades de inteligência e vigilância, funcionando como uma ferramenta que agrega precisão à atuação do policial em campo. O oficial também destacou que o uso de aeronaves não tripuladas costuma ter melhor custo-benefício do que outras soluções de monitoramento, já que não exige grandes estruturas físicas adicionais para operar. Agência SP

O que a tecnologia é capaz de identificar durante uma operação

Entre os recursos mais avançados dos equipamentos utilizados pela Polícia Militar paulista está a capacidade de reconhecimento de placas veiculares a partir do ar, algo que já vinha sendo testado em conjunto com outros programas estaduais de segurança. Existem modelos de drones capazes de realizar reconhecimento de placas de veículos, e testes já foram conduzidos em parceria com o programa Muralha Paulista voltados especificamente para reconhecimento facial a partir de imagens aéreas. Essa combinação permite que uma aeronave sobrevoando uma região identifique, em poucos segundos, se um veículo específico consta como roubado ou furtado no sistema. Agência SP

O mesmo tipo de avanço tecnológico também chegou a outras corporações policiais do país nos últimos meses, ainda que com aplicações um pouco diferentes. Em Brasília, a Polícia Militar do Distrito Federal adquiriu um equipamento com características avançadas de sensoriamento. O drone conta com câmera de sensor de 40 megapixels e capacidade de zoom de até 400 vezes, permitindo reconhecimento de áreas a longas distâncias, além de sensor termal de alta precisão capaz de identificar diferenças de temperatura no ambiente, recurso que pode ser usado para localizar pessoas em áreas de mata ou detectar movimentações suspeitas durante operações. Fatosdebrasilia

No Rio de Janeiro, a Polícia Civil seguiu caminho parecido, mas voltado especificamente ao combate ao crime organizado. A corporação adquiriu drones equipados com câmeras de reconhecimento facial e leitura de placas, integrados ao sistema da própria polícia para identificar pessoas procuradas ou veículos roubados, além de modelos destinados a voos furtivos, capazes de operar de forma discreta sem serem facilmente detectados durante o mapeamento de áreas de risco. Qualquer unidade policial do estado pode solicitar o uso desses equipamentos, o que amplia o alcance da tecnologia para além das operações de grande porte. Tribuna do Sertão

Os limites e os debates em torno do reconhecimento facial nas ruas

Apesar dos ganhos operacionais destacados pelas corporações, o uso de reconhecimento facial por forças de segurança segue sendo tema de debate entre pesquisadores e especialistas em direitos digitais. Estudos acadêmicos sobre o assunto no Brasil têm apontado que essas tecnologias apresentam taxas de erro mais altas quando aplicadas a determinados grupos populacionais, o que levanta preocupações sobre falsos positivos durante operações policiais e sobre os critérios usados para validar essas ferramentas antes de colocá-las em uso operacional nas ruas.

Esse tipo de discussão tende a ganhar mais peso à medida que o uso de drones com inteligência artificial se espalha para novas corporações estaduais, como já ocorre em São Paulo, no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Por enquanto, as corporações que adotaram a tecnologia descrevem os resultados como positivos em termos de identificação de foragidos e veículos roubados, mas a ausência de regras nacionais específicas sobre o uso desse tipo de ferramenta por policiais ainda é apontada por pesquisadores como uma lacuna relevante no debate público sobre segurança e tecnologia no país.

A expansão de drones e helicópteros equipados com inteligência artificial em operações policiais mostra uma tendência que deve continuar avançando ao longo dos próximos meses, à medida que mais estados testam esse tipo de equipamento em situações reais de policiamento. Para o cidadão, o principal efeito prático é a promessa de identificação mais rápida de suspeitos e veículos irregulares durante as operações, mas o tema também reforça a necessidade de acompanhar como cada corporação regula o uso, o armazenamento e o descarte das imagens captadas por essas aeronaves.

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