Felipe Rassi informa como a análise setorial ajuda a identificar onde estão hoje os maiores volumes de crédito não performado no mercado.

Felipe Rassi informa sobre a análise setorial e onde estão os maiores volumes de crédito não performado hoje

Diego Velázquez
By Diego Velázquez

Felipe Rassi detalha que a análise setorial, em crédito não performado, precisa ser tratada como exercício de recorte e prudência, porque “setor” pode significar comportamento agregado de inadimplência, concentração de carteiras em determinados originadores ou aumento de cessões em segmentos específicos. Nesse sentido, a pergunta sobre volumes não se resolve apenas com um ranking, ela exige entender qual indicador está sendo usado e qual é a fonte.

O valor de uma análise setorial aparece quando ela orienta o processo: segmentação do portfólio, desenho de abordagem e priorização de saneamento. Portanto, mesmo quando números existem, o passo seguinte é transformar dado em critério, sem confundir volume com recuperabilidade.

O que significa “maior volume” em termos de indicador

Há mais de um modo de medir volume. Um recorte comum é o indicador de inadimplência do sistema, que aponta pressão sobre a carteira como um todo. Por exemplo, uma notícia baseada em divulgação do Banco Central mencionou inadimplência de 5,5% em janeiro. Contudo, esse dado é agregado e não aponta, sozinho, quais setores concentram NPLs.

Outro recorte frisado por Felipe Rassi é o volume de cessões realizadas por segmento, que depende de decisões estratégicas de originadores e de apetite dos compradores. Nessa linha, levantamentos de mercado podem indicar setores com maior movimentação em determinado período. Nessa perspectiva, “maior volume” pode refletir uma combinação entre estoque, maturidade do mercado e viabilidade de transação.

Setores e padrões de risco que costumam orientar triagem

Mesmo sem tratar o setor como “culpado”, alguns padrões são recorrentes em ciclos de juros elevados, como pressão em crédito ao consumo e em empresas com fluxo sensível a custo financeiro. Além disso, segmentos com alta pulverização de contratos tendem a gerar grandes carteiras transacionáveis, enquanto segmentos com grandes devedores corporativos podem gerar volume em poucos casos, porém com complexidade maior.

Ao avaliar diferentes segmentos da economia, Felipe Rassi mostra onde se concentram atualmente os maiores volumes de crédito não performado.
Ao avaliar diferentes segmentos da economia, Felipe Rassi mostra onde se concentram atualmente os maiores volumes de crédito não performado.

Conforme indica Felipe Rassi, o recorte setorial deve servir para calibrar o método. Logo, em carteiras pulverizadas, cadastro, trilha de contato e padronização de saldo são variáveis centrais; em carteiras corporativas concentradas, a atenção se desloca para aditivos, renegociações, garantias e risco de litígio. Portanto, o setor orienta o processo, não substitui a diligência.

Fontes públicas e limites da leitura macro

O Banco Central mantém estatísticas monetárias e de crédito com recortes relevantes de acompanhamento do sistema. Ainda assim, muitas séries públicas não traduzem diretamente “estoque de NPL por setor” no formato que o mercado secundário usa para comprar e cobrar carteiras. Logo, a leitura macro ajuda a compor o pano de fundo, porém o nível de decisão da cessão depende da base e metodologia de cada transação. 

Por isso, é útil evitar excesso de certeza em análises setoriais sem fonte específica. Desse modo, a análise pode focar em como o mercado costuma reagir a ciclos, quais setores tendem a gerar carteiras transacionáveis e quais fatores afetam a recuperação de ativos, como qualidade do lastro e estabilidade do cadastro.

Transformar análise setorial em estratégia de execução

A utilidade prática surge quando o recorte setorial vira trilha de cobrança. Assim, setores com alto volume pulverizado costumam demandar automação disciplinada, padronização de comunicação e controle de versões de base. Em contrapartida, setores com concentração corporativa exigem dossiês, governança de negociação e mapeamento de garantias e obrigações cruzadas.

Felipe Rassi frisa que “onde estão os maiores volumes” é menos importante do que “como esses volumes se tornam cobráveis”. Nesse sentido, análise setorial bem aplicada orienta segmentação e reduz ruído, porque define prioridade, pacote mínimo e critérios de escalonamento de acordo com o tipo de risco que cada segmento tende a trazer para a recuperação de ativos.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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