Brasil Contra o Crime Organizado: programa federal impõe prejuízo de R$ 1,6 bilhão a facções em 30 dias de operação

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez

Lançado em maio, o programa mobilizou quase 10 mil profissionais em 11 operações nacionais e mira a asfixia financeira como principal estratégia de combate às organizações criminosas

Em 30 dias de operação, o programa Brasil Contra o Crime Organizado, lançado pelo Governo Federal em 12 de maio, causou um prejuízo estimado de R$ 1,6 bilhão às facções criminosas que atuam no país. O balanço, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, aponta que a iniciativa mobilizou 9.964 profissionais de segurança pública em 11 operações realizadas em todos os 27 estados e no Distrito Federal. A estratégia central do programa não é apenas repressiva, mas financeira: o objetivo declarado é asfixiar economicamente as organizações criminosas, cortando os fluxos de dinheiro que sustentam o tráfico de drogas, o tráfico de armas e a corrupção. Esse modelo, que combina inteligência policial, investigação financeira e integração entre forças federais e estaduais, representa uma mudança de abordagem em relação às operações policiais tradicionais.

Como funciona a estratégia de asfixia financeira

A lógica por trás do Brasil Contra o Crime Organizado parte de um diagnóstico já conhecido pelas forças de segurança: prender integrantes de facções, sem atingir sua estrutura financeira, tem efeito limitado, pois as organizações criminosas têm capacidade de repor rapidamente quem é preso. Por isso, o programa direciona energia para o que o secretário nacional de Segurança Pública, Francisco Lucas, chamou de “atacar o andar de cima”, identificando e desarticulando os mecanismos financeiros que sustentam as facções. Entre as ações mais relevantes estão a Operação Carbono Oculto, que revelou a infiltração do PCC no mercado financeiro, e a Operação Compliance Zero, que apura crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e fraudes nas negociações entre bancos. A Secretaria Nacional de Justiça também atua por meio da Rede de Laboratórios Estratégicos contra o Crime (Rede-Lab Crim), criada em março de 2026, que reúne 65 laboratórios em todo o país para auxiliar na identificação de recursos ilícitos. Segundo o governo, a rede já gerou pelo menos 15 ações estratégicas contra o crime organizado e fraudes.

No sistema prisional, o programa também atua de forma consistente. O Projeto Padrão Segurança Máxima (PSM), coordenado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), moderniza 138 unidades prisionais com bloqueadores de sinal, scanners corporais, câmeras com reconhecimento facial, drones e viaturas blindadas. Essas unidades concentram cerca de 80% das organizações criminosas catalogadas no Mapa das Organizações Criminosas. A 11ª fase da Operação Mute, que integra o programa, apreendeu 680 celulares em 124 presídios após a vistoria de 3.728 celas, atacando diretamente a comunicação entre lideranças presas e integrantes em liberdade.

Força Nacional e fronteiras: os outros eixos do programa

Além da vertente financeira e prisional, o programa tem uma frente territorial significativa. A Força Nacional de Segurança Pública atuou em 81 frentes operacionais em 13 estados e no Distrito Federal, com presença em regiões de fronteira, terras indígenas e áreas de crimes ambientais. Entre 12 de maio e 7 de junho, foram realizadas mais de 34 mil abordagens a pessoas e mais de 20 mil abordagens a veículos, resultando na apreensão de 1.684 quilos de drogas, 14 armas, 27 veículos e mais de 31 mil litros de combustível, além de 41 prisões. O programa também prevê a Companhia de Operações Ambientais da Força Nacional no Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, sinalizando que o combate ao crime organizado passa também pela proteção dos biomas e pelo enfrentamento aos crimes ambientais transnacionais. No Congresso, dois projetos relacionados ao tema aguardam votação: a PEC da Segurança (PEC 18/2025) e o PL Antifacção (PL 5582/2025), que podem ampliar o arcabouço legal disponível para as forças de segurança.

Fontes: Brasil 247 | Agência Brasil | Governo Federal

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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