A Operação MUTE apreendeu 598 celulares em unidades prisionais de todo o Brasil durante uma semana nacional de ações contra a comunicação ilícita e a atuação de organizações criminosas a partir do sistema penitenciário. A mobilização ocorreu entre 21 e 25 de setembro de 2026 e foi coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O balanço foi divulgado em 1º de outubro pela Secretaria Nacional de Políticas Penais. Segundo o órgão, as ações reuniram policiais penais federais e estaduais dos 26 estados e do Distrito Federal, com base em informações de inteligência.
Operação alcançou 107 estabelecimentos prisionais
Ao todo, 4.212 policiais penais participaram da força-tarefa, que alcançou 107 estabelecimentos prisionais. Durante a operação, foram revistadas 3.604 celas em unidades que, juntas, custodiam mais de 88 mil pessoas privadas de liberdade.
Os números indicam uma mobilização coordenada em diferentes regiões do país, com atuação integrada entre as estruturas penitenciárias estaduais, distrital e federal. A estratégia concentrou esforços na identificação e retirada de aparelhos e outros materiais proibidos dentro dos presídios.
A operação foi realizada em uma semana nacional de ações, mas os dados divulgados pela Senappen não detalham a quantidade de celulares apreendida em cada estado ou unidade. Também não há, no balanço consultado, a indicação da finalidade individual atribuída a cada aparelho encontrado.
Como celulares podem ser usados dentro dos presídios
A presença de celulares em unidades prisionais representa um desafio para a segurança penitenciária porque permite a manutenção de contatos externos sem autorização. Em determinadas situações, a comunicação clandestina pode ser utilizada para transmitir ordens, ameaçar vítimas, coordenar atividades criminosas ou movimentar negócios ilegais mesmo quando integrantes de organizações estão presos.
Essa possibilidade explica por que a retirada de aparelhos é tratada como uma frente de combate à atuação de grupos criminosos a partir do sistema penitenciário. No entanto, a apreensão de um celular durante a operação não permite concluir, por si só, qual uso teria sido feito do equipamento. A fonte oficial apresentou o resultado geral da mobilização, sem relacionar os 598 aparelhos a crimes específicos.
Para localizar materiais proibidos, as equipes podem recorrer a informações de inteligência e a equipamentos destinados à varredura das áreas internas. A adoção desses recursos amplia a capacidade de fiscalização das unidades e ajuda a direcionar revistas para locais ou celas considerados prioritários, conforme os dados reunidos pelos órgãos de segurança.
Integração entre policiais penais
A participação de agentes dos 26 estados e do Distrito Federal deu à Operação MUTE alcance nacional. A coordenação da Senappen permitiu reunir informações e esforços de diferentes administrações penitenciárias em uma mesma janela de atuação, com foco na interrupção de comunicações não autorizadas.
Além da apreensão dos celulares, o balanço deve ser observado pelo número de celas vistoriadas e pela quantidade de profissionais mobilizados. Foram mais de 3,6 mil celas revistadas em 107 estabelecimentos, o que representa uma ação ampla de fiscalização no sistema prisional brasileiro.
O resultado divulgado não informa quais providências foram adotadas individualmente após cada apreensão, nem apresenta uma lista das unidades onde os aparelhos foram encontrados. Essas informações dependem de eventuais investigações e procedimentos administrativos conduzidos pelas autoridades responsáveis por cada estabelecimento.
O que o balanço mostra
Os 598 celulares retirados das unidades prisionais demonstram a dimensão do esforço concentrado contra a entrada e a permanência de dispositivos proibidos no sistema penitenciário. A operação também reforça o papel da inteligência e da cooperação entre as forças de segurança na fiscalização de presídios.
Por enquanto, a Senappen divulgou os números nacionais da ação realizada entre 21 e 25 de setembro. O balanço oficial não apresenta detalhes sobre apreensões de outros materiais, prisões, sanções disciplinares ou novas fases da operação. Qualquer consequência adicional dependerá das apurações realizadas pelas autoridades competentes.
